Parabéns a vocês, que querem se dedicar à bela e essencial tarefa de contar histórias.

Agradeço seu interesse pela minha avaliação. Não quero desestimulá-los, muito pelo contrário. Todos os dias, eu recebo pedidos para ler trabalhos de novos talentos. Infelizmente, não tenho tempo para isso. Preciso escrever. Minha leitura se restringe aos clássicos que podem inspirar meu trabalho ou às novidades que já alcançaram a mídia e me interessaram.

Devo também ver muitos filmes, novelas e programas de televisão, já que trabalho como roteirista. Por todas estas razões, não tenho disponibilidade para avaliar roteiros ou histórias de desconhecidos. Só posso responder ao seu anseio com esta pequena exortação ao trabalho.

O que deve fazer o novo autor para mostrar as suas histórias? Em primeiro lugar, deve ler muito, conhecer o acervo da tradição, ao máximo. Precisa saber e decifrar os mistérios da sua língua, com amor. O escritor que não conhece a língua de seu povo, como conseguirá contar histórias que atinjam o coração dos outros? Tenho pena dos que não sabem escrever e querem ser escritores. Porém, se você ama a sua língua e a arte de contar histórias; se você sabe, como Rilke, que não pode viver sem escrever; então mostre suas histórias, sempre que tiver a oportunidade, a quem estiver disposto a conhecê-las.

Foi isso que eu fiz, durante toda a minha vida de escritor. Conte suas histórias aos amigos e pessoas queridas, antes de mostrá-las aos outros. Ouça o que eles têm a dizer sobre seu trabalho. Faça leituras públicas. Monte as suas peças. Publique seus livros. Participe de concursos e seleções. Não se magoe com as críticas nem se deslumbre com os elogios. Não se deixe paralisar pela autocrítica, mas também não se deixe levar pela ilusão da própria genialidade. Trabalhe sempre para melhorar seu texto, mas também não caia na armadilha de não colocar o ponto final.

É preciso se desapegar da história, para que ela ganhe o mundo, dá-la como pronta, mesmo quando sabemos que podemos ainda melhorá-la. Saiba que os contadores de histórias existem em todas as culturas, em todos os povos.

Desde tempos imemoriais, cumprimos uma função essencial para a sociedade. Existimos para trazer emoções, alegrias, sabedorias ancestrais, descobertas e partilha de experiências. Desejo de coração que seu trabalho seja tão vitorioso que chegue ao conhecimento do mundo.

Com sincero afeto,
Tiago Santiago.

 
 
 
 
 
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